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Reavaliação: Lady Gaga - Chromatica

Média: 72 (-2) | Críticas: 47 (+26)
Best Track: Babylon 23%
Francisco: 100
Lirou_KatyCat: 100*
Honey: 98
Loann: 93 (+1)
MeltAway: 93 (+14)
Sugarpink: 93*
Davs: 89
Bulba: 88*
FrankLucena7: 88*
Pov: 88*
TeusfromVirgo: 87*
Badzgabs: 86*
Coreano: 86 (+4)
LucasBeat: 86
Geisha: 85*
Sleet: 84
PrimalHeart: 82*
RomulX: 82 (-1)
Miguel: 81
Artsy: 79 (+14)
Elder: 78*
Srtocaio: 78*
Aotearoa: 75*
Toxicc: 75*
Maiiksantos: 74*
Nairobi: 74*
Rozzabsol: 74*
Lupina: 73
Skorpion: 73
LufiMT: 71*
Raquel: 71*
Lorenzolinzi: 65*
Fallon: 63*
Voorhees: 63*
RadiateLove: 60
Lily: 56*
Poncho: 56
Tytu: 54*
Afonso: 52*
LuVincents: 51 (-10)
Ann: 50
Pdfalan: 50 (=)
GabrielHikaru: 49
Lohan: 45 (-38)
Benedita: 35*
Work: 20 (-47)
Yuri: 13*
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Comentários:

Lirou_KatyCat - 100/100: "O álbum é simplesmente maravilhoso, ele consegue misturar um conteúdo das letras das canções que giram em torno da saúde mental, cura, e a busca da felicidade em meio à dificuldades, com uma produção super dançante e divertida durante todo o álbum, criando um mundo colorido enquanto o escuta."

Loann - 93/100: "O retorno da Lady Gaga ao pop era muito esperado pelos fãs, depois de trabalhos como Joanne e a trilha sonora de Nasce Uma Estrela, era normal que os fãs esperassem algo nos moldes da old Gaga, e com o Chromatica ela trouxe tudo isso de uma maneira muito positiva.
A começar pelos visuais da era, impecáveis. Seja na questão dos looks, mas principalmente nos clipes. Tirando o de Stupid Love que é simples, Rain On Me e 911 vieram com super produção e do jeito que os fãs gostam, cheios de detalhes e mensagens por trás deles.
E agora falando finalmente do álbum, que grata surpresa foi o Chromatica. A espera pelo pop valeu muito a pena, Gaga fez um trabalho excepcional no Chromatica. Arranjos, voz, letras bem elaboradas, não sendo apenas uma simples farofa pra dançar, cada música conta algo, transmite algo, Gaga deu seu coração e alma no Chromatica.
Gosto de todas as músicas do álbum, apesar de claro, ter aquelas mais fracas, mas o meu top 5 fica com: RAIN ON ME, FREE WOMAN, ENIGMA, 1000 DOVES e ALICE.
Babylon e Replay são duas músicas muito interessantes, que eu gosto, mas acho elas um tanto superestimadas.
Love Me Right eu trocaria fácil por alguma do standard, essa música é maravilhosa, e fez falta na versão padrão do álbum.
Geralmente eu não curto muito interludes, mas no caso do Chromatica elas agregam muito, além de serem muito agradáveis de ouvir. A transição de Chromatica II pra 911 é maravilhosa. Gosto muito das outras duas, mas de fato essa é a que mereceu o maior destaque.
Eu não sei dizer se esse PRA MIM, é o melhor álbum da Gaga, mas eu garanto que está no top 3, e mesmo completando quase um ano do álbum, eu ainda não me cansei dele."

MeltAway - 93/100: "Gaga tem a carreira mais interessante de se acompanhar na música. Vendo tudo que ela já fez e viveu, nos perguntamos se isto é tudo que ela pode oferecer para nós: um álbum pop com um conceito e proposta visual fortes e com a irreverência que só a princesa do pop sabe fazer.
Ela já deu tudo em mais de 10 anos de carreira, então eu acho que este é o melhor momento da Lady Gaga e que eu acho que ela não precisa provar mais nada a ninguém, principalmente a gays de fórum.
Tem algumas faixas que atrapalham o rumo do álbum, mas nada significativo."

Sugarpink - 93/100: "Se tratando de musica pop com eletrônico em abundancia, ninguém faz melhor que Lady Gaga.
Chromatica é o álbum com melhor desenvolvimento de um conceito dentro da discografia da artista, as produções dançantes são pouco cabíveis para o momento atual em que vivemos, mas suas composições sobre insegurança e introspecção acabaram se tornando bastante relatáveis. Mergulhado na House Music, Chromatica serve a impecavel Babylon que já é uma das joias da carreira de Gaga, as excelentes Alice e Rain on Me, Stupid Love que divide opiniões, interludes que dispensam comentários, além de 911, que destaco não como a melhor faixa, mas a que melhor organiza a essência do disco, sendo uma das canções de maior experimentação da cantora. Free Woman e Plastic Doll as vezes soam bastante irritantes, sendo os pontos baixos do álbum em minha percepção."

Bulba - 88/100: "Enfim um álbum pop muito bom, apesar de eu odiar a 3ª parte só salvo Babylon pelo sample da música porque eu amo Confusion do New Order, as duas primeiras partes funcionam muito bem, a Gaga não tem medo de brincar com sintetizadores, samples e a música eletrônica (apesar de alguns exageros). Talvez esse seja mais um ápice criativo da Gaga que estava adormecido a muito tempo."

Lorenzolinzi - 65/100: "Talvez o álbum não tenha sido criado pra mim porque na minha percepção o disco traz várias farofas sem muita identidade que poderiam ser descartadas facilmente e eu sei que a Gaga consegue fazer algo muito melhor que isso. Em contraste existem umas 4-5 faixas maravilhosas que fizeram com ele esverdeasse mesmo assim, mas foi por pouco hein Gaguinha, quero o sucessor do Joanne/A Star Is Born no LG7."

Fallon - 63/100: "O álbum da veterana Lady Gaga tem uma proposta bem bacana, que ficou confusa em sua execução. Chromatica é um álbum super coeso e linear, contudo, algumas faixas soam extremamente barulhentas e incômodas. Outras são ruins mesmo, como exemplo de “Plastic Doll”.
Outros momentos do álbum são marcados por extrema frustração, como a faixa “Free Woman”, cujo vazamento anterior ao álbum apresentou uma versão extremamente incrível da canção. No álbum, Gaga nos apresenta uma versão modificada, dando um balde de água fria em quem esperava a primeira versão. Eu, por exemplo, detesto essa faixa por esse motivo. “Babylon” tem o mesmo problema, já que um comercial sugeria a mesma totalmente diferente. Porém, essa não chega a ser ruim.
Os pontos mais altos do CD ficam a cargo dos convidados Ariana Grande e Elton John, que somam muito às canções em que foram incluídos. A faixa solo “Alice”, também é um dos melhores momentos e da a entender que o álbum não terá nenhum defeito, já que é praticamente a abertura do mesmo. Entre “Alice” e “Rain on Me”, “Stupid Love” chega pra amornar e quebrar o clima.
Aliás, com o passar dos meses, Chromatica se tornou um álbum qualquer coisa. Bom, mas nada memorável pra uma artista que fez história e tem um “Born This Way” na carreira."

Voorhees - 63/100: "Chromatica é um trabalho que tenta resgatar um bom e velho pop dance, apesar das letras em alguns casos fazerem analogias questionáveis. Tem seus bons momentos, principalmente quando entra no último ato com Chromatica III o trabalho fica muito mais agradável e interessante. Sine From Above mesmo com todo um time de composição ficou muito interessante e da uma sensação gostosa de ouvir. Porém, no fim o álbum parece apenas ser um flerte sem muito encanto com várias músicas que a gente esquece que ouviu assim que acaba o álbum."

Tytu - 54/100: "Depois de seguir por diferentes caminhos em seu trabalho, Lady Gaga derradeiramente decide regressar ao som e estética que a fizeram uma das principais estrelas do pop nesse século. Deveria ter feito isso lançando um Chromatica? Sem tibutear a resposta é não.
Seu 6° álbum é uma grande decepção, com uma premissa interessante de ser explorada: mas uma realização com quase nenhum sucedimento; músicas com produções sem nenhum encanto que parecem ter saído de um dj set de um produtor iniciante que sonha em tocar em qualquer festa sem a mínima personalidade em Ibiza (Free Woman e 1000 Doves ) ou então músicas que se mostram desastrosas em todos os sentidos como as horripilantes: Fun Tonight (que tenta emular de forma pífia a euforia recente das já clássicas canções pra chorar dançando) Stupid Love (que resgata o pior dos anos 80) e Plastic Doll (que conta com a letra que parece ter sido escrita pela Megan Trainor pensando num debut adulto da Jojo Siwa). Nesse sentido pode apontar que o principal problema é a produção executiva comandada pelo Bloodpop, produtor já reconhecido por sua mediocridade e é nos piores momentos do disco que a personalidade dele mais ressoa.
Canções como: Rain On MeAlice, Sine From Above e Sour Candy soam de maneira correta, sem grandes atrativos e sem grandes problemas.
Apesar dessas falhas, o álbum conta com alguns breves momentos de respiro: tal qual a excelente Babylon com uma letra perspicaz e elementos sonoros que ecoam perfeitamente sua ode á cena ballroom; 911 que é um efêmero retorno nostálgico ao som que a artista fazia no início da carreira.
Enigma e Replay que bebem de fontes menos preguiçosas e genéricas da house noventista quando comparado ao álbum.
Sintetizando: era melhor a cantora continuar atuando em filmes."

Afonso - 52/100: "Rotulado como o “retorno da arista ao território do pop dançante”, Lady Gaga em 2020 veio munida de cores vibrantes, coreografias e até todo o conceito de um universo que guiaria o seu sexto álbum de estúdio. Ela só esqueceu, no fim das contas, de trazer o que tornou ela interessante em primeiro lugar, lá no final da década de 2000: as faixas pop inconfundíveis de serem suas, a ousadia e ambição presente em cada refrão, cada letra. Em Chromatica a artista cria um disco até consistente no som, que bota suas raízes no eurodance/house, mas também não busca atualizar essa sonoridade nostálgica sob uma ótica atual, é a referência pela referência sem nenhum contexto. Um resultado final sem ápices, sem riscos e, no fim de tudo, um projeto pop sem face ou muita identidade."

Lohan - 45/100: "GaGa começou sua carreira com um debut estrondoso, “The Fame”, onde conquistou fãs por todos os lados do globo terrestre e angariou inúmeros recordes com seus clipes chamativos e com uma pitada de glamour e originalidade. Mesmo utilizando o som do momento, Lady conseguiu êxito em esbanjar ótimos looks e personalidade; e conseguiu o seu espaço no mundo da música e da moda também. Seguindo os passos, a intérprete lançou o tão aguardado EP, “The Fame Monster”, que cativou ainda mais seu público e a colocou num patamar acima de suas concorrentes na época; onde ainda manteve sua exuberância e extravagância com louvor. Posterior, a mãe dos monstrinhos lançou o tão aclamado também, “Born This Way” que trouxe uma nova roupagem as batidas EDM que a lançaram ao mercado, tão quanto trouxe uma nova GaGa, uma GaGa mais atrevida, mais humana e mais engajada em causas sociais e apoio aos que ficam à margem da sociedade; dando um ar de esperança, confiança e liberdade. Seguindo a cronologia, Lady lançou o futuro da música, “ARTPOP”, onde a mesma o definiu como álbum do milênio. Concordo até em partes pois é um disco que ela explora mais ainda o lado DJ dela e consegue trazer a tona o melhor dos produtores (em certos momentos), mas ainda com um toque de personalidade ímpar da artista. Depois destes 3 discos + EP, a cantora decidiu lançar discos voltados pro público mais adulto e mais sofisticado, onde também foi aclamada e louvada pela crítica especializada e trouxe um pouco de requinte aos ouvidos dos fãs mais eloquentes. Também não deixou para trás a sua forma de agir e de se expressar. Enfim, depois de um disco de jazz contemporâneo, um disco de country e um disco de baladas, GaGa voltou com este disco (“Chromatica”), e mostrou para o mundo um novo mundo, mas trazendo uma sonoridade bem típica dos anos 2000, onde suas antecessoras do EDM como September, Lasgo e Cascada já trabalhavam. Neste disco, Lady GaGa trouxe tudo o que já havia sido lançado, desde então, e só trouxe um toque de sofisticação e requinte, mas não conseguiu êxito em atrair o olhar do público mais afinco. Enquanto ela lançava discos marcantes e históricos, neste deixou totalmente a desejar por não trazer ao mundo uma nova GaGa, ou uma GaGa mais atrevida e original. Para quem já lançou uma “LoveGame”, “Telephone”, “The Edge of Glory” e “Do What U Want”, trazer uma “Stupid Love”, “Rain On Me” e uma “Free Woman”, por exemplo, é um desastre sem fim. Não há defesa que defenda um retrocesso deste tamanho. Lady mostrou que não se preocupou em nada, quando até as intro/interludes são mais palatáveis e interessantes que as próprias faixas do material… do que adianta uma linearidade se nada chega a lugar algum??
Realmente, neste disco, GaGa só trouxe uma versão básica e genérica do que toca nas rádios, não trouxe um vestuário diferente, trouxe tudo requentado e capenga. Cadê a GaGa atrevida, desbravadora e única? Cadê a Lady excêntrica e aclamada pela sua originalidade? Cadê a exuberância que a mesma carregou por longos anos? Aonde está a GaGa que conhecíamos?"

Benedita - 35/100: "Em seu sexto álbum de estúdio, Lady Gaga nos mostra como ela não evoluiu nada desde os tempos de Just Dance e Poker Face.
Abaixo irei avaliar faixa-a-faixa do álbum:
Alice: a faixa de abertura de Chromatica é decepcionante, Lady Gaga canta sobre o País das Maravilhas de Alice e a música de maravilha não tem nada.
Stupid Love: a nossa primeira amostra do planeta Chromatica teve uma recepção mista pelos fãs, o destaque da produção é o sample gratuito usado no refrão, e o que mais me assusta é que essa é provavelmente a “melhor” faixa do álbum.
Rain On Me: a parceria mais aguardada do ano, com a cantora Ariana Grande, feita para tocar incansavelmente nas rádios, não conseguiu atingir esse exito e não durou muito nos charts musicais. Talvez a música tivesse mais estabilidade se fosse lançada em 2012.
Free Woman, Fun Tonight: gostaria de fazer uma review junta para essas faixas, porque elas são igualmente ruins. Duas músicas que estão no nível de outras celebridades como Demi Lovato, muito abaixo do que se esperava da Gaga quando ela nos apresentou a trilha sonora de A Star Is Born.
911: outra música que parece ter saído dos álbuns anteriores de Lady Gaga, essa faixa se encaixaria muito bem no Born This Way, e isso não é um elogio.
Plastic Doll: a pior música do álbum, competindo de igual com Free Woman e Fun Tonight. Essa música parece ter saído das profundezas do porão de descartes do The Fame.
Sour Candy: outra parceria decepcionante, a faixa é muito curta para ser dividida entre 5 vozes. Os gritos no meio da música são irritantes.
Enigma: música de extremo mal gosto, e a produção parece ter saído diretamente do Summer Eletro Hits 2007.
Replay: a produção dessa faixa é o destaque, mas infelizmente a música não tem outros atributos.
Sine From Above: Elton John pode ter perdido sua sanidade ao aceitar cantar nessa faixa, a produção é muito barulhenta e datada.
1000 Doves: a música falha em sua tentativa de ser tocante, a produção não me agrada e a letra é genérica.
Babylon: o único feito da música foi servir de trilha sonora para o vídeo do Dória dançando com calças apertadas."

Work - 20/100: "Quando você pensa que não poderia piorar, Lady Gaga chega novamente com outro trabalho completamente apelativo e medíocre.
Depois de passar quase 1 década inteira tentando desesperadamente recuperar o sucesso que perdeu após seu segundo álbum, a cantora se reergueu das cinzas com a Soundtrack do filme “A Star Is Born”, trabalho paralelo que foi o suficiente para colocar o nome de Lady Gaga entre os mais comentados e respeitados daquele ano; mas como diz aquele ditado - “alegria de pobre dura pouco” - a chama reascendida da carreira da nossa Lady era apenas um fogo de palha.
Com o disco ”Chromatica”, nossa Mother Monster lacradora finalmente voltou para o Pop eletrônico datado que seus fans tanto clamavam. Mas no final das contas, nem eles se demonstraram satisfeitos.
Sobre o álbum em si, não preciso me prolongar muito. Mas resumidamente: “Chromatica” não é nada mais que uma playlist de farofas eletrônicas tão medíocres que não se encaixariam nem no Summer Eletrohits do Multishow. Uma queda astronômica de qualidade que só mostrou o quão inconsistente a cantora pode ser."

Yuri - 13/100: "Antes de falarmos sobre o “Chromatica”, precisamos começar por aquele que foi o seu antecessor, o “A Star Is Born”.
Lady Gaga vinha de uma era magnífica e foi a principal cabeça pensante na criação da trilha sonora mais bem sucedida - em termos de crítica e prêmios - da última década, e não podemos esquecer que nesse álbum temos a canção mais premiada da história. Isso tudo sem mencionarmos o sucesso comercial, “A Star Is Born” foi o seu primeiro álbum platina dupla desde o “Born This Way”, aquilo que ela não via há mais de 8 anos.
Esse enorme sucesso foi responsável por colocar Gaga em uma posição bastante privilegiada com a mídia e o grande público, partindo dele, Gaga poderia lançar e arriscar-se naquilo que quisesse, ela tinha um leque aberto com todas as possibilidades possíveis para explorar e voltar aos holofotes com seu nome em alta, assim como no início de sua carreira. Mas é uma pena que ela escolheu logo o pior caminho para seguir: reciclar o som que a tornou popular, ainda mais partindo de Gaga que durante toda a sua carreira vendeu - ou pelo menos tentou - sua imagem como uma artista incrivelmente versátil e que se arriscaria em todos os gêneros possíveis.
No Jazz com Tony Bennet, no Pop-Rock com Metallica, no cinema com a trilha sonora já aqui citada e no Country com o Joanne, mas todos nós que acompanhamos a sua carreira sabemos o destino final que todos esses caminhos levaram: o desespero para ser relevante e estar em alta mais uma vez. O que foi triste de se ver pois Gaga devia saber que 2008 só se vive uma vez.
E é assim que chegamos em “Chromatica”, o mundo que - pelas palavras e definição da própria - ela criou como um “escapismo” do nosso mundo real, mas é triste ver que ao decorrer do andar dessa era até mesmo a própria abandonou o tal planeta e deixou seus fãs, a mídia e o público geral sozinhos em Chromatica.
Com uma sonoridade onde prevalece o EDM, house, eletrohouse e o europop, o álbum sofre influência de 3 diferentes décadas da música pop os anos 80, 90 e 2000, e como ponto positivo podemos destacar o fato de Gaga NÃO explorar o synth-pop - talvez esse seja o maior ponto positivo do álbum, o desastre seria maior se ela o fizesse. Mesmo com a faca e o queijo na mão, Gaga mostra que seu entendimento é bastante superficial sobre o som que ela mesma buscou fazer em “Chromatica” e que todas as suas idéias se tornaram apenas isso: idéias. Lançar um álbum nessa sonoridade em um ano como 2020 foi um tiro em seu próprio pé, pois vai ser sempre um fardo para Gaga ter seu talento colocado em cheque quando comparada com outros ótimos álbuns pop lançados próximos ao seu, podemos citar “What’s Your Pleasure?” de Jessie Ware, “Future Nostalgia” de Dua Lipa e o “After Hours” de The Weeknd, são 3 grandes e bons exemplos onde os seus artistas tiveram a perspicácia e a inteligência de saber ligar o conceito à sua devida e correta execução, e como dito anteriormente e repetindo agora: é uma situação que coloca as RECRIAÇÕES de Gaga do house-pop dos anos 90 no Chromatica em cheque. Mas não seria de se esperar mais que isso, visto que o disco se presta e realiza o seu papel de uma frouxidão e desleixo na sua produção, em seu superficial lirismo, na mísera criação de suas melodias, e na pior parte de todo o álbum: a orquestragem dos refrões, onde tornam todas as suas 16 faixas em repetitivas batidas da house music, um álbum que faria a Cher sorrir ao ver que seria esse o nível de concorrência que ela teria se Gaga fosse uma artista de sua época de ouro.
O álbum divide-se em 3 atos, gostaria de poder dizer “diferentes atos”, mas sabemos que isso não será possível.
“Meu nome não é Alice mas eu estou procurando pelo país das maravilhas” canta Gaga logo no primeiro refrão da faixa de abertura “Alice” - não dê rizadas agora, essa não é a única analogia brega, superficial e infantil que você verá pelo decorrer do álbum - o pior de tudo é que ter essa faixa logo no início só nos mostra e nos faz imaginar que Gaga limita-se à uma sugestão e criação de uma conduta na narrativa do álbum e que mostre a idealização de um mundo distópico e fantástico. Mundo esse que existe única e exclusivamente na sua cabeça e mais uma vez ela se esquece de algo, dessa vez que a criação desse tipo de narrativa só é possível no ramo da literatura, e esse mesmo exemplo de erro podemos ver em outras faixas como “Fun Tonight”, “Plastic Doll”, “911” e “Stupid Love”, onde existem versos que a artista canta as seguintes atrocidades:
“estou me sentindo do jeito que estou me sentindo, estou me sentindo com você, eu fico olhando para a garota no espelho, ela fala comigo também”, “Eu quero o seu amor estúpido”, “Não brinque comigo, não sou sua boneca de plástico”, “Eu venho com bolsas e sapatos novos, sou seu tipo?”, “Minha maior inimiga sou eu, ligue para a emergência”.
Mas vamos falar de coisa boa: os acertos do álbum. Gaga foi muito esperta e inteligente na escolha das parcerias que aqui inseriu, trouxe um dos maiores nomes do mercado fonográfico mundial atualmente, a maior girlband em números de streams da história e uma lenda da música. Pois bem, partindo de Rain On Me, temos aqui uma fusão nada muito feliz entre os vocais alegres e esperançosos de Ariana e os tenebrosos e assustadores timbres de Gaga, apesar do sucesso estrondoso da faixa em suas primeiras 24hrs, o recebimento da mesma ao decorrer dos dias foi igual os minutos finais da faixa: mornos. A complementação dos vocais das duas artistas tanto nas melodias, quanto nos versos e nos refrões não é feliz e o resultado termina em uma faixa onde Ariana poderia cantar e brilhar facilmente sozinha. Mas é em Sour Candy que um grande desastre acontece: Gaga forçando sotaque oriental ao cantar “I’m hard on the outside but if you give me time”. Mas obstante disso, a faixa se destaca dentre todas as suas outras 12 irmãs por ter o único refrão descente de todo o álbum, além da participação brilhante e essencial do Blackpink. Em Sine From Above nada muito especial acontece, o brilho da faixa fica por conta de Elton John que rouba a cena logo no primeiro segundo.
Enigma, Replay e Free Woman são exemplos de faixas que nunca deveriam ter existido, elas não cumprem seu papel no álbum e apenas servem para concretizar que Gaga é uma artista que trabalha apenas singles em seus álbuns e as faixas que ela escolhe para preencher buracos, ela faz descaso das mesmas. Nada aqui é aproveitável.
Mas chegamos em Babylon que é uma faixa de encerramento regular, temos “diversas inspirações” nos versos ao clássico Vogue da real rainha Madonna e ao cenário LGBTQIA+ dos anos 80 e 90. É uma ótima faixa para se ter como guilty pleasure.
Como considerações finais gostaria de levantar a questão de que Gaga mais uma vez conseguiu cair em sua bolha criativa, a mesma que ela se encontrava pós-The Fame. O que esperar depois daqui? O que vem depois desse desastre e de mais uma vez na carreira de Gaga: mais uma queda. Queda criativa, queda em composição, queda em qualidade, queda em vendas, queda em aclamação, queda em receptividade do público. O que ela vai nos entregar a seguir? O que vem depois? Vem mais um The Fame por aí? Ou apenas mais uma variação dele?
Gaga, 2008 só se vive uma vez."

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